Acompanhei algumas breves reportagens sobre a parada gay que ocorreu domingo passado (26), na cidade de São Paulo. Nitidamente podemos perceber que não há nenhum tipo de mídia que se envolva e realmente tente mostrar algo positivo que esteja sendo realizado com esta passeata. Abre parênteses sobre meu pensamento:
“Não sou a favor de “paradas gays”, nem contra, mas creio que o grande objetivo, aquela essência de manifestação pública/política em favor da igualdade homossexual vem se dissipando ao longo do tempo e com o maior envolvimento da mídia em si. São Paulo: cidade gay? Jamais, muito pelo contrário, nasci lá, minha namorada também, nós e qualquer pessoa pode perceber que grande parte da população é sim homofóbica e isso acarreta em violência, porém segundo os tablóides internacionais, a cidade de São Paulo é um paraíso homossexual. Até que ponto envolve-se os interesses pessoais e financeiros com a luta igualitária, pois bem, eu não posso, nem sei, responder, mas creio que o importante em tudo o que se faça na vida é a essência. Fim”
Voltando à mídia... Estava assistindo algumas reportagens, enquanto pensava na minha vida e escutava um áudio muito interessante “Pra Te Fazer Bem”, do blog sapatilhando.blogspot.com de Helena Paix, pessoa que admiro muito, assim como sua esposa Del. Torres, criadora do site paradalesbica.com.br. Bom, dizem que mulheres conseguem ter vários focos, realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, pois bem, eu realmente sou assim.
Estava pensando no quanto a vida muda e o quão incertas são essas mudanças. No momento em que a rotina parece prevalecer algo acontece e pronto, surgem novas dúvidas, novas questões. Há um tempo eu escrevia muito, muito mesmo, tinha um daqueles diários e escrevia e descrevia todos meus dias, pensamentos e acontecidos nele. Hoje não tenho mais tempo de fazer essa análise diária, mas por outro lado estou a cada dia mais participativa dentro das minhas escolhas. Estava sentada com minha namorada e ela deixou escapar: “-Nossa, que programa de velhos né?”, na hora eu dei risada e concordei, mas no próximo segundo eu pensei “Poxa, eu to gostando”. Estávamos sentadas, sem fazer nada, esperando a porta fechar, esperando a conta e eu me dei conta de que esse momento faz parte da minha essência, se fosse há um tempo eu nem estaria naquele local, estaria fazendo outras coisas, fugindo de “programas de velhos”, como costumamos brincar. A questão é: trago pureza dentro do meu coração, sinto como se meu pensamento fosse muito além do pensamento comum. Sabe aquele vídeo que tem no youtube do menininho que chora por que matou a formiguinha, ki dó, ki dó?? Quando eu assisti, enquanto todos riam eu não achei a menor graça, poxa, é uma criança chorando a perda de algo, não importa que seja uma mera formiga, é algo que não sei por que era importante para ela, cadê a graça? Porque rir? É engraçado quando você vai a um funeral e vê a família do morto chorando? Qual a diferença? Sinceramente, sou bem extrema em alguns pontos de vista, mas pra mim não deixa de ser a mesma coisa só que em diferentes proporções.
Bingo, estamos aonde eu queria chegar, sexo, digo, afetividade, amor. Não compreende por que somos assim? Tudo bem, nem nós nos compreendemos, o importante é apenas respeito. Respeito e Educação são a chave para qualquer civilização se desenvolver mentalmente e com isso adquirir melhor qualidade de vida, dentro do nosso planeta.
Não é por que você não me entende que tem o direito de me julgar, de se achar melhor do que nós, de rir ou até de chorar. Na realidade somos todos iguais, independente de credo, raça, posição social ou orientação sexual, somos pessoas, seres humanos que desejam viver de forma feliz. Crescer, amadurecer, ser feliz, ter conforto é o ideal de vida de qualquer pessoa, seja ela gay ou não, branca ou negra, católica ou evangélica, ou qualquer outro diferencial.
Portanto assim como Shakespeare “plante seu jardim e decore sua alma”, pois apesar das diferenças, somos todos iguais e se a grande massa populacional ainda teima em crer que os valores heterossexuais são os que realmente valem dentro de nossa sociedade, sinto dizer-lhes, mas nada disso importa, continuarei completamente apaixonada pelo olhar da minha amada, ou a fazer planos para o jantar, ou ainda escrevendo meu artigo cientifico sobre marketing na faculdade. Se nossos meios de comunicação preferem abordar a violência gerada a partir da manifestação de domingo (26), tudo bem, afinal para eles, somos aquele estereótipo de mulheres que andam de bermudão e camiseta, ou ainda, aqueles homens que deixam o cabelo crescer, fazem escova progressiva e usam rimel. Enfim, cada momento da vida pede uma adequação de nossa parte, seja ela positiva ou não, o importante é nunca se esquecer de que ainda existem pessoas que não irão rir de todas as piadas, que enxergarão além das proporções e perceberão que muitas vezes um simples gesto vale mais do que mil palavras.
Um grande beijo!
Loah!


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