terça-feira, 19 de julho de 2011

SEM TITULOS!

Ok...
No começo era aventura, prazer em correr riscos, prazer nas descobertas, adrenalina e cortisol sendo liberados no organismo.
Cada pensamento, tão intenso, que fazia a mão gelar, a respiração acelerar, o coração bater mais forte.
A primeira vez que andamos de mãos dadas na rua, foi em São Paulo, no dia da parada gay no ano de 2008, até então, não sabia o que era essa tal liberdade de expressão, não citava momentos apropriados e sempre me escondia por trás de uma amizade ou um parentesco.
O tempo foi passando e chegou um dia que as mãos se encontraram de novo, mas dessa vez, dentro de um contexto social comum. Um parque, um shopping, um barzinho. Na primeira vez, todos os olhares voltaram-se para nós, ela não percebia, nem ligava, o problema era eu, meu, os olhares em minha direção, a risada engasgada, o olhar para baixo.
Não era algo palpável, mas estava ali, mais comum do que se pode perceber, talvez mais real na minha mente do que fora dela e o olhar continuou baixo, até que ela perguntou: -Tá com vergonha?... respondi: -Não, vergonha não, to é preocupada...
- Relaxa, ninguém vai te ver!
- Quero só ver se aparecer alguém que você conheça...
- Uéh, normal, não to fazendo nada de mais...  
3 anos e meio depois, não me preocupo tanto, na verdade, nunca foi preocupação, era vergonha mesmo, vergonha de ser algo que cresci aprendendo que é algo pior do que qualquer coisa na vida, pior do que as drogas, pior do que a violência. Minha geração cresceu aprendendo que gays são pessoas com problemas e sabe, realmente, somos pessoas com muitos problemas. Não podemos reconhecer nossos direitos com total liberdade, muitas vezes temos que nos anular perante determinadas situações e outras vezes somos mortos, apenas por existir, mas afinal, o maior problema de uma pessoa homossexual, não é ser homossexual, isso não é, nem nunca será, problema, a questão é a falta de inteligência alheia, a falta de capacidade de assimilar a diferença como algo absolutamente igual, não existem diferenças, tudo e todos fazem parte do mesmo planeta, do mesmo Deus, da mesma vida.
Difícil pensar que esse preconceito um dia será banido da sociedade, mesmo porque, ainda vejo professores ensinando crianças de que existe o “certo” e o “errado”, o certo é aquele casal que constrói uma família juntos e errados são aqueles “moralmente prejudicados” que lutam por décadas por um direito tão simples: Adotar uma criança!
Com a Lih eu aprendo várias coisas, mas acho que a mais valiosa foi aprender que não importa o quanto você será desmerecido, amaldiçoado, ou visto como uma aberração, nada disso é real no nosso mundo, no nosso universo, nós construímos e atraímos apenas coisas e pessoas boas pra perto de nós.

Quanto mais “vergonha” você demonstra ter, mais envergonhado se sentirá, por isso, ACORDE! A vida é agora, você não terá outra chance!
Aproveite cada instante e nunca deixe que o próximo se sinta no direito de te atacar, só você é responsável por seus erros e acertos e pode ter certeza, amar verdadeiramente não é, nem nunca será, um erro!
Loah!